Hoje termina o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Sem querer parecer um emigrante a dizer que lá fora é que é bom, gostava de dar o exemplo de algo que assisti com agrado em Espanha. Nao como mera actuaçao do poder politico, nem experiencia vivida, mas de como nos ultimos 3 anos, vivendo, às vezes a full time outras a part time, fui observando a denuncia da chamada violencia machista no nosso país vizinho.
Os numeros serao assustadores embora agora nao os tenha presentes, o que sim tenho presente é que cada vez que uma mulher era morta às maos do seu companheiro, vários noticiários abriam com essa noticia. E contavam em que circunstancias, contavam quem era a mulher ou rapariga, falavam de há quanto tempo sofria abusos, descreviam a forma que tinha ou nao tinha tentado sair do abuso. Davam-lhe um nome e uma história. E depois davam-lhe um numero tambem.
O que tenho presente é que responsáveis politicos, em certos casos o presidente do governo espanhol, vinha fazer declaraçoes condenando os crimes.
O que assisti em Espanha foi a um verdadeiro compromisso de poderes: executivo, legislativo, judicial e mediático; uma verdadeira uniao de vontades, um claro assumir por parte de todos e todas que tinham um papel fundamental em acabar com este drama. Em Portugal, estamos muito longe disso.
A violência de género enquanto problema grave e estruturante das sociedades ocidentais (e orientais) nao é assumida no nosso país ainda.
Mas talvez com o tempo e vontades, com a luta de organizaçoes feministas (que têm aqui um grande papel) um dia possamos dar esse salto civilizacional, onde o ditado passe a ser
Entre marido e mulher, deve-se meter a colher.




